Ah-ê, ah-ô, o vento na mata chamou...
Ah-ê, ah-ô, meu peito por ti disparou.
O branco cruzou o rio, pisou na nossa aldeia,
E a flecha do meu olhar te encontrou na lua cheia!
Trago o urucum no corpo, o jenipapo na pele,
O cheiro da terra molhada, o canto da juriti.
Tu vieste de outro mundo, de onde a pedra é fria,
Mas viste o sol da minha alma e te prendeste aqui.
Te ensinei o nome do rio, a cor do fruto maduro,
Mostrei que a nossa riqueza não brilha no ouro escuro.
O pajé benzeu nosso rumo, o fogo estalou no chão...
Será que o fio do tempo aguenta essa união?
Pois a tua gente esquece que a terra é mãe e altar,
Mas nos teus olhos perdidos, eu vejo o meu mar.
Ah-ê, ah-ô, o vento na mata chamou...
Ah-ê, ah-ô, meu peito por ti disparou.
O branco cruzou o rio, pisou na nossa aldeia,
E a flecha do meu olhar te encontrou na lua cheia!
Tu trouxeste a pressa nos passos, o fardo de quem não vê
Que a vida é o sopro da folha que dança com o bem-te-vi.
Eu te dei meu arco de fibra, o mel que a abelha faz,
E a paz que só a floresta sabe dar aos mortais.
Se a tua pele é de cal, a minha é da cor da terra,
Mas no fundo do mesmo peito, o mesmo amor se encerra.
O rio corre pro mar.
Leva o homem branco pro seio do meu lugar.
Não chores, meu caçador, a floresta vai nos guardar...
Ah-ê, ah-ô, o vento na mata chamou...
Ah-ê, ah-ô, meu peito por ti disparou.
O branco cruzou o rio, pisou na nossa aldeia,
E a flecha do meu olhar te encontrou na lua cheia!
AnnaLuciaGadelha
Minha homenagem aos indígenas pela dívida histórica, social, moral e jurídica acumulada pelo Estado brasileiro e pela sociedade em relação aos povos originários desde o período colonial. Trata-se de um débito imensurável fundamentado em séculos de violência, espoliação e negação de direitos fundamentais
Linda Interação!
Entre prosas e poesias
A gente cria uma canção
Entre tristezas e alegrias
A gente embala um coração.
https://www.youtube.com/watch?v=xXM9divboEs