O frio me visita com as mãos vazias,
Não traz motivo, nem rosto, nem nome.
É um sobressalto que devora os meus dias,
Um bicho invisível que de mim se consome.
Olho no espelho e não vejo o abrigo,
A mulher que ali mora me é estrangeira.
Não confio no passo, nem no que digo,
Sou sombra de mim, sou poeira e canseira.
“É coisa da mente”, eles dizem de longe,
Com vozes distantes, de quem não quer ver.
O mundo se cala, a ajuda se esconde,
Enquanto eu me perco no meu próprio ser.
Não há uma porta, não encontro a saída,
Neste quarto fechado que o medo inventou.
Sou náufraga em terra, na própria vida,
Gritando pro nada… que ninguém escutou.
AnnaLuciaGadelha
Lindas interações
Um carinho, um cobertor
Para aplacar o frio
Um abrigo traz o calor
O mar e o rio
De paz pra afastar o vazio
E que a alma se cubra de amor
Se alguém te escuta
Esse alguém sou eu
A tristeza labuta
No sonho que morreu.
Não quero você assim
Sem coragem pra viver
Tudo se resolve enfim
Com amor e bem-querer
NO FRIO DA SAUDADE
Um visceral desejo é de novo, aceso,
Com tua ausência na madrugada fria.
Só as recordações me trazem alegria,
Enquanto o desgosto impõe seu peso.
As mãos te procuram sob as cobertas,
E o gelo do vazio destroça essa alma,
Que te sente aqui, impondo ressalvas,
Negando o calor que o amor desperta.
Um vento gelado assobia no telhado,
E um ruído agudo relembra teu nome.
Este frio cortante meu peito consome,
Sabendo que perdi do sonho dourado,
A essência divina, pra noites insones.
Ficando a saudade, por meu cicerone..
(Reedição)
