O relógio não avisa quando pisa
Com passos de algodão na madrugada;
O tempo escorre ,água decidida
Que desdenha da pressa e da parada.
O que fui? É escultura já madura,
Cinzel que cravou marcas no meu peito;
O passado me deu forma e espessura,
Me fez inteira no que fui refeita.
O amanhã? Não sei a fonte
Onde a âncora do medo não tem vez;
Não sei o que me espera no horizonte,
Nem busco o adivinho ou a insensatez.
O meu reino é este segundo que palpita,
É o agora onde a vida se encadeia;
Agarrar o presente é a prece dita,
É ser a própria onda e a própria areia.
E, no balanço franco desta dança,
Posso afiançar, sem culpa ou disfarce:
Sou feliz com o tempo que me alcança,
Sendo o instante o único deus que me abrace.
AnnaLuciaGadelha
Lindas interações poéticas
Brigar com o tempo é derrota com certeza,
pois o tempo nocauteia beleza
Corrói cordas podres, cristais
Para o tempo ferrugem e brilho são iguais.
O seu tempo é agora
E não perca um segundo
Venha pra mim sem demora
Pra ser feliz nesse mundo.
O tempo que o tempo tem
É o tempo que a gente tem
Aproveite o seu tempo bem
Enquanto o seu tempo vem
Pés no chão e mente nas estrelas
O tempo é o dono das incertezas
O agora é o presente sem miudezas
O relógio não pode ser meu algoz
A pressa é uma rota atroz
Na existência opto o compasso do albatroz
Pergunto à folha se o tempo avisa,
Onde o compasso do relógio cai;
— Respondo em versos, feito leve brisa:
É no segundo que começa e vai.
— Que traga o sopro que a alma precisa,
No instante exato que não volta mais;
— A própria onda o meu olhar divisa,
Sendo eu a areia desses temporais.
— Se o ontem chora o cinzel que cravou,
Busco o horizonte que a vida refaz;
— Sou a escultura que o tempo formou.
Onde a lembrança me traz minha paz,
E nesta dança que a mente guardou,
Siga o seu reino de luz e de cais.
MEU TEMPO É AGORA
Não reclamo faltar-me privilégio,
Que pra felicidade, contribua...
Pois faria da vida um sacrilégio,
]Por não criar nada que retribua
Ao tempo que aprimora,
A visão que tenho agora,
Pra desvendar os mistérios
Na luz que a alma possua.../
Não reclamo faltar-me privilégio,
Que pra felicidade, contribua...
