Parei na beira do mundo, onde a alma silencia,
E decidi falar com quem não tem pressa de ir:
Chamei o Sol, a Lua, o mar de forte magia,
E as montanhas que sabem o tempo que é ouvir.
— Ó Sol, que aqueces meu peito com fogo sagrado,
Dize-me o segredo de tanto brilhar sem temor!
E o Sol me respondeu, num raio dourado e calado:
"Eu gasto a vida inteira acendendo o calor."
— E tu, Lua mansa que velas a noite escura,
Como suportas a ronda de tanta solidão?
A Lua sorriu na sua branca e serena altura:
"Eu guardo os sonhos que dormem no teu coração."
— Ó mar infinito que bates na minha lide,
De onde tiras tanta força para este vai e vem?
O mar rugiu nas ondas que o vento divide:
"Eu sou a alma do mundo que chora e quer bem."
— E vós, montanhas de pedra, majestosas,
Que vistes eras inteiras passarem por vós?
As montanhas falaram do alto, portenhosas:
"Nós somos a terra muda ouvindo a tua voz."
Olhei para o alto, olhei para o fundo do peito,
E vi que na roda do tempo, de sol e de mar,
Não sou estrangeira neste vasto e eterno leito:
Sou filha da terra que aprendeu a cantar.
AnnaLuciaGadelha
Belíssimas interações!
E vós, verdejante floresta de antiga porfia
Que guardas segredos e o canto que o vento ensinou
O que dizes da vida, da dor e da pura alegria?
A mata sussurrou baixa, no fôlego que restou
Eu sou o abraço da terra que o tempo alimenta
O berço das folhas que caem pra ver recriar
Quem vive o silêncio profundo que a fronde sustenta
Aprende que a alma é semente que há de brotar
Thomás Leroy
LIÇÕES DA NATUREZA
A água corre pro mar,
Depois volta pelo céu.
Talvez pra nos ensinar,
Ser lutador sem troféu.
A semente que germina,
Por certo também ensina,
Crescer e frutificar.
E tal abelha faz mel,
A água corre pro mar,
Depois volta pelo céu....
(Reedição)
ECO NA BEIRA DO MUNDO
Quem para à beira do mundo e sabe ouvir
O Sol, a Lua, as montanhas e o mar,
Encontra a força exata para seguir,
E o grande dom de saber cantar.
O Sol que queima o peito a reluzir,
A Lua que os sonhos sabe guardar,
A onda do mar que chora o existir,
E a rocha firme que sabe escutar.
Não és estrangeira neste eterno leito,
Pois a terra inteira acolhe a tua voz,
E ecoa o canto que nasce no teu peito.
Na roda do tempo, sob o manto azul,
A poesia vive e floresce em nós,
Na alma de Anna Lucia Gadelha.
O vento soprava baixo,
quase como um sussurro,
quando decidi me sentar no chão batido do jardim.
À minha frente, um canteiro repleto de belas flores parecia flutuar
sob a luz mansa da tarde.
Fechei os olhos e, aos poucos,
o barulho do mundo lá fora foi se dissipando,
dando lugar a algo muito mais profundo.
