Entre a sombra e o clarão dos holofotes mudos,
o espaço se encurta no primeiro compasso.
Sinto tuas mãos firmes na curva da minha cintura,
desenhando no ar o rastro do meu próprio passo.
Um deslize lento, o peito colado ao peito,
o calor da tua respiração a roçar meu pescoço.
Arcuando a espinha no ritmo dessa música escura,
sinto a pele arder, sem medo do nosso excesso.
Giro devagar, me entrego ao teu contraponto,
teus dedos me prendem, me puxam de volta.
O quadril acompanha a batida grave e densa,
enquanto o desejo se desenrola e se solta.
Coxa com coxa, o atrito que dita as regras,
um duelo sutil de quem guia e quem cede.
Eu me moldo ao teu corpo num laço faminto,
satisfazendo o fogo que a dança nos pede.
E no clímax final, onde o ar nos falta,
ficamos suspensos, pele a pele, em nó.
Dois corpos num só ritmo incandescente,
fundidos no tempo, sem distância e sem dó.
AnnaLuciaGadelha

https://www.youtube.com/watch?v=LNEGE4CKKgA
O MAPA DA TUA GEOGRAFIA